Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Selecionamos, entre os leitores do Feliz Vida Livre, oito relatos que mostram toda graça, força e beleza na busca pelo seu próprio caminho da felicidade. Uma homenagem nossa e dos nossos leitores para todas as mulheres do mundo.

Entrego, confio, recebo e agradeço

por Raquel Mustaro, publicitária

Raquel Mustaro_Mulher

Ser feliz… Aos quatro anos, um simples sorvete me fazia feliz. Hoje, depois de 44 anos, conseguir não tomar o sorvete é o que me faz feliz, ou tomá-lo, desde que seja na Itália, que tem os melhores do mundo! O que mudou neste caminho? Nada.

Foi só a felicidade amadurecendo junto comigo. É claro que ficou mais complicado me sentir feliz, mas hoje pra mim a felicidade é profunda e duradoura, não acaba junto com o sorvete. Por isso, mantê-la requer disciplina do meu estado de espírito, e para isso eu tenho um mantra diário: “Entrego, confio, recebo e agradeço”, na plena certeza de que estou aqui para ser feliz, independente do que aconteça.

Não transfiro a responsabilidade de ser feliz para ninguém, nem poderia, pois ela está dentro de mim e o que eu “coloco” pra dentro e como “coloco” é uma decisão minha, só pode ser minha não há outra forma.

A maturidade trouxe esta consciência e afastou de vez o “vitimismo” da minha vida. Desse modo, tenho tempo para viver a felicidade, mesmo nos dias mais difíceis, tem sempre a volta pra casa, meu templo onde me sinto acolhida, segura e amada, livre para me sentir feliz!


Soltar das amarras no exercício de ser mãe

por Nathielle Wougles, terapeuta ocupacional e atriz

Nathielle_Mulher

O exercício da maternagem integral me mudou por completo! Depois de parir a Lara e descobrir as dores e delícias de ser mãe, um bichinho curioso começou a remexer dentro de mim. Os questionamentos que fazia sobre a vida, política, religião, alimentação… eram infinitos! Dias cansativos refletindo sobre quais eram meus verdadeiros objetivos daqui em diante, o que eu queria da vida? Eu quero ser feliz junto com as pessoas que eu amo!!

A decisão de me afastar do serviço público para cuidar integralmente da minha filha e exercer a profissão que amo, é hoje uma das portas abertas que dão para uma vida feliz. Com o apoio do meu companheiro e do amor genuíno da Lara, trabalho com teatro e com a Terapia Ocupacional de forma autônoma e livre.

Foi preciso coragem para soltar as amarras da estabilidade financeira, mas os ganhos em sorrisos são maiores. Aprendi que menos é mais, vida simples é o que há de mais luxuoso!


Arremedo de medo

por Nay Girelli, artesã, mochileira e blogueira do Cartas em Trânsito

Nay Girelli_Mulher

Era uma vez uma menina que cresceu em uma família que tinha muito medo.

Em outra escola não podia ir porque bem ali tinha uma avenida com muitos carros. Viajar sua família nem ia, com tantos ladrões e a casa sozinha? Seus pais tirar férias? E se voltar e tiver outro no lugar?

Essa menina de tanto pensar nesse tal de medo, depois de tanto se esquivar, um dia encontrou com ele e se tornaram grandes amigos. Ela hoje já não faz nada sem ele, a cada vez que pega a estrada o leva naquele friozinho na barriga. Às vezes, o chama para conversar e sempre sai muito mais segura do que tem que fazer. Ela aprendeu a fazer do medo um grande aliado.

Hoje, ela não tem mais casa, prefere o mundo sem endereço. Viaja, aprende outras línguas, já subiu montanhas de neves, desbravou ilhas, aprendeu um monte de coisas que nenhuma escola pode ensinar.

Mesmo quando ela está só, chama seu amigo e inventa várias brincadeiras. A que mais gosta é transformar em companheiro cada coisa que o medo lhe apresenta.

Essa menina grande sou eu. Muito prazer! Quer brincar com a gente?


Tempo de vibrar

por Mi Keller, blogueira do Vibra Mundo

Mi Keller_Mulher

Minha caminhada para aprender a ser feliz passou por muitas terapias, imersões, choros na madrugada, feedbacks, surtos emocionais. Demorei para perceber que estava no papel de vítima e quando resolvi sair à luta descobri um mundo novo.

Antes, acredito que desaprendi a ser feliz, passei muito tempo no que chamo de limbo, sobrevivendo, levando as coisas como dava, fingindo que estava tudo bem, engolindo sentimentos, sorrindo sem sentido, com uma angústia enorme que me consumia porque queria ter vida! Vida dentro, vibrando… e não sentia.

Após uma viagem para fechar um ciclo da minha vida, voltei decidida a mudar e comecei a cuidar de mim, de verdade! Respeitar minhas vontades, fazer exercício, praticar meditação e gratidão, sorrir mais, ser mais amorosa… e claro! Quando você muda, o mundo muda!

As portas se abrem, a vida fica mais leve, as coisas se resolvem sozinhas e o amor que você JÁ tem aqui dentro transborda. Não é “ser feliz como se tudo fossem rosas”, mas lidar com a vida de maneira diferente.

Percebo que, mesmo com problemas, consigo lidar de forma mais leve e com mais fé!


A fotografia foi uma bela forma de me encontrar

por Anita Campos, fotógrafa

Anita Campos_Mulher

Sempre gostei do belo, e a fotografia me deu a oportunidade de estar sempre perto do que é bonito, seja retratando uma doce espera, a comemoração de um ano de mudanças e alegrias, o amor entre as pessoas, o carinho entre elas, e minha grande felicidade: fotografar mulheres incríveis!

É um presente ser quem resgata aquele mulherão que existe dentro de cada uma. O dia a dia vai dando lugar a outras prioridades e elas vão se deixando um pouquinho de lado.

Retratar mulheres é gratificante. É maravilhoso ver o brilho nos olhos delas quando conseguem ver como eu as vejo: lindas, poderosas, DIVAS. Todas nós podemos, e podemos MUITO!

Somos divas, lindas e maravilhosas sim, e enxergar isso só depende de nós.

Não precisamos ser manequim 38, nem ter o cabelo igual da fulana da novela.
Podemos ser divas com celulite, com linhas de expressão, e um corpo real. Toda mulher é uma diva, toda mulher merece um ensaio feminino para se amar mais, se reconhecer, se reencontrar.

Trabalhar com o belo é um sonho… evolui do projeto inicial, até o dia do ensaio e o resultado final. As mulheres saem do ensaio radiantes, se achando poderosas, e capazes de tudo, como realmente são sempre. O que mais me traz felicidade, hoje, é mostrar para essas mulheres que já estão de bem consigo mesmas, que elas são tudo isso e muito mais!


Os momentos de felicidade estão ao nosso lado

por Nelci Terezinha Seibel, jornalista e escritora, membro da Academia de Letras e Artes de São Francisco do Sul e da Academia Joinvilense de Letras

Nelci_Mulher

Engraçado! Dificilmente falamos (ou escrevemos) sobre o que é a felicidade. Isso porque costumamos imaginar a felicidade como um sonho grandioso, que estamos sempre à procura, na expectativa de encontrá-la no futuro. Não nos damos conta de que, pequenos gestos também nos deixam felizes, como o sorriso de uma criança ao lhe darmos um chocolate; uma flor que abre no nosso jardim, ou quando recebemos uma surpresa como esta: “eu aprendi muito com você”, quando dei parabéns a uma pessoa pelo aniversário. Foi uma grande e inesperada alegria, ganhei o dia.

Os momentos de felicidade estão ao nosso lado, é preciso saber distingui-los. Fazer o que gostamos e receber reconhecimento por isso, existe sentimento melhor?

Sou formada em Comunicação Social, já fiz cerimoniais sem conta, escrevo em jornais há anos… Porém, inesquecível foi o projeto para escrever um modesto livrinho sobre as construções históricas de São Francisco do Sul. E ao apresentá-lo, os empresários da cidade disseram: “queremos isso, porém muito maior, mais bonito e mais completo, em cores, uma obra especial para comemorar os 500 anos de descobrimento da cidade.

O livro foi sucesso e a euforia teve continuidade. Pesquisei e escrevi “A História do Porto de São Francisco”, outro sucesso, agora em fase de 2ª edição. Outros livros foram intercalados e com isso consolidei minha verve de escritora o que me deixa muito feliz e realizada.

Mais realizada ainda fiquei, ao ser convidada, em 2012, para integrar a Academia de Letras e Artes de São Francisco do Sul e em 2015 fui eleita membro da Academia Joinvilense de Letras. Isso é que é felicidade!


Sonhos e conquistas

por Talita Persic, mãe, formada em Gestão de Recursos Humanos

Talita_Mulher

Encontrar maneiras de ser feliz… Esta foi a minha mais árdua tarefa por anos, até que descobri que a minha felicidade não me alcançaria e sim o contrário.

Fiz duas malas, me despedi dos amigos e da família à minha moda: num bar! Peguei um ônibus que ia para o lugar que faz meu coração bater forte, o Rio de Janeiro! No lugar que mais amo no mundo, a primeira coisa que encontrei, antes mesmo de um hotel, foi um amor, amor por mim mesma e pela liberdade. Isso, alcancei a felicidade!

Agora, sei que a minha está onde eu quero encontrá-la. Eu a encontro todos os dias, ao acordar, em Zagreb, e ver os olhos brilhantes do meu filho. Mas, amanhã, eu posso bater na porta dela em qualquer outro lugar. Ela não vai me atender, ela vai florescer dentro de mim porque é aqui que ela mora. Desde então, mesmo no meu silêncio e quietude, alimento esse estado, oferecendo o melhor de mim; para permanecer completa e plena.

Nesse caminho, eu tive a confirmação da certeza que sempre tive: o que me faz ser feliz é poder sonhar e conquistar, porque foi sonhando, indo contra todos que me diziam ser somente idealista, que conquistei um novo horizonte e minha família. É assim que quero permanecer, feliz, a conquistar o que já é meu, listado em sonhos.


“Sem você eu nada seria” – a homenagem de um homem

por Guilherme Moreira, blogueiro do Ela Disse Ele Disse

Guilherme Moreira_Mulher

Existe algo que ainda não tenha sido dito sobre a importância cabalística e transcendente da mulher? Sua força e poesia que luta para coexistir num universo impregnado de machismos e achismos prepotentes, constantemente associados a uma suposta fragilidade.

Talvez seja estranho e cabível de ignorar tais palavras e reflexões escritas por um homem. Um homem que nem no mais profundo esforço pode imaginar quantas dores e provas diárias a mulher já sofreu e ainda sofre no tempo presente. Mas é possível contemplar, reconhecer e admirar tanta importância vinda de uma figura que não apenas nos trouxe vida, como também despertou o verdadeiro significado do amor verdadeiro e do respeito pelas coisas boas. Não fosse a mulher, o homem seria apenas um rabisco na história. Logo, nada mais justo e ainda que soe clichê, celebrar ante o seio feminino, toda e qualquer inspiração que nos permite ser algo mais.

Nada de migalhas e justiças pagas em prestações. Nada de violência descarada e defendida por alguma posição de poder imaginário. Nada de invadir um corpo sem expressa autorização para satisfazer o primitivo. Nada de virar os olhos contra a escolha e ascensão por puro ego. Nada de ser moleque quando a saia, o vestido ou outro traje estiver esculpido nas curvas e traços personificados daquela que merece respeito, independente da soma e crescente gozo que você, homem, sonhe em ter. A mulher sempre foi dona de si, mas éramos cegos de ciúmes entre nós para percebemos isso.

Não é questão de colocá-la num pedestal, mas na mesma superfície que pisamos, com a diferença que uma vez ou outra devemos carregar o semblante humilde, gentil e afetuoso para você, mulher. Porque é tempo de definitivamente afirmar que sem você, eu nada seria. O coração ficaria opaco, sem poesia e melodia para construir inteiros do mais amor.

Portanto, não importa o quanto sejamos diferentes nos trejeitos, a mulher é a morada existencial e nós meros aprendizes e observadores da sua confiança e plenitude.

Ao seu dia, todo o dia, amor e respeito. Intransferível.