Quando você sai para o trabalho, seu coração vai junto, fica em casa, é colocado no bolso ou vai para algum outro lugar que não seja junto com as mãos e pés que têm tarefas a desempenhar? Qualquer outro lugar em que o coração possa estar que não seja vibrante no peito, ele estará desajustado, um pouco abafado e pedindo expressão.

Com a carga da sobrevivência e do sucesso financeiro, trabalhos desgastantes vão adiando para a folga o momento de colocar o coração bater feliz novamente. Numa vida resumida, trabalha-se muito para consolidar aparências. Enquanto isso, se compromete a saúde e se adia um pouquinho mais a qualidade aspirada porque é assim que o mundo gira.

“Aceita-se com tranquilidade, por exemplo, a ideia de que o stress agudo e suas outras decorrências faz parte da vida cotidiana, e, dessa forma, sendo uma consequência da ‘normalidade’ de nossa existência, é necessário absorver maneiras de coabitação com ele; tomar medicamentos (e trocar receitas e referências médicas) tornou-se uma obsessão e uma temática recorrente nas inúmeras situações de convívio que a vida extensamente urbana impõe”, provoca o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella, no livro Não nascemos prontos. (Acompanhe entrevista exclusiva do filósofo Cortella sobre o que é uma vida feliz).

Um trabalho com propósito

Para aqueles que não concordam em achar normal o estado de estresse, encontrar um propósito no trabalho é a busca do momento. A nova geração não quer só trabalho, quer trabalho com alegria. O objetivo é encontrar um meio de sustento que também faça sentido. E o emprego dos sonhos para muitos representa a liberdade de viajar o mundo. Vamos com calma. Um amigo, piloto de grandes companhias aéreas, pôde fazer isto e lamenta ao contar nos dedos os aniversários e datas especiais que passou com os filhos. O alto salário permitiu criar a família confortavelmente. Entretanto, criou-se uma lacuna irrecuperável no tempo, pois enquanto voava seus filhos cresciam.

Um trabalho como uma usina de felicidade

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É possível se inspirar em ideias sobre qual emprego dos sonhos você gostaria de ter. Contudo, é escutando atentamente seu próprio talento que você irá descobrir o que escolher fazer para não adiar para os finais de semana a hora de ser feliz. O advogado, jornalista e escritor Clóvis de Barros Filho faz este alerta e diz que sua profissão é uma usina de felicidade. Melhor do que ter inveja é descobrir a razão.

Ele conta que, até os 12 anos, se arrastava entediado pelos dias que passava na escola. Não lhe despertava maior ânimo nem mesmo as aulas de natação ou as idas ao estádio para assistir futebol com seu pai. Foi assim até que uma dinâmica em sala de aula, quando um professor determinou apresentações em seminários no lugar das provas, o ajudou a descobrir sua preciosa usina. Falar para os colegas fez seus olhos brilharem e ele quis repetir aquela sensação boa de dividir algo.

Um trabalho que potencialize a vida

O que você gosta de fazer que se sente tão envolvido como se a vida ganhasse potência? Não necessariamente precisa ser algo grandioso para alguém, mas preciso ser significativo para você. Pode ser algo da infância ou da juventude que foi deixado de lado em detrimento de planos que pareciam mais promissores e rentáveis. E isto absolutamente não quer dizer que ser feliz no trabalho é ter baixo rendimento. A ideia é potencializar o ganho econômico sem desprezar a vida.

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Os artistas Irmãos Feitosa durante a participação da Elephant Parade, que esteve pela primeira vez na América Latina, em Santa Catarina. Eles pintaram uma das esculturas no tamanho real de um bebê elefante

“Não ignore seus talentos. Não os negue. Enfrente as dificuldades. Valorize seus recursos naturais. Enfrente a escravidão pela soberania de sua própria natureza. O presente é um lugar único, inédito e ‘irrepetível’ para traçar sua trajetória e algo incrível,” recomenda Clóvis Barros.

Os artistas gêmeos Irmãos Feitosa, Alexandre e Eduardo, seguem esta prática e pintam de cores suas trajetórias distribuindo desenhos e a arte do grafite.

Uma pista para saber o seu lugar natural? Clóvis diz que está na resposta da perguntar se você gosta de estar onde está, porque a vida que vale a pena ser vivida é aquela que vale a pena ser repetida. (Acompanhe o que mais Clóvis de Barros diz sobre a felicidade no trabalho).