Lembro-me dos meus 18 anos, e de como já pensava em não ter filhos. As pessoas diziam que eu ainda era jovem, ainda estava cedo. Eu iria encontrar alguém especial e o desejo viria naturalmente. Depois, as fases de uma vida “normal”: se apaixonar, namorar, juntar as trouxas, terminar a faculdade, ter um lar. Tudo conforme o script, mas nada. Nada da criança.

Costumo dizer que logo minhas amigas com crianças vão parar de me convidar para as festinhas de aniversário. A prioridade será, em algum momento, as colegas com filhos. Essa é a minha piadinha número um. Será que a mulher que decide abertamente não ser mãe tem vocação para madrinha? Como confiar em quem não quer ter os seus? Essa é a número dois.

Brincadeiras à parte, isso soava estranho há algum tempo. Hoje já percebo muitas mulheres com o mesmo desejo. Não tem nada a ver com gostar ou não de crianças. É só uma vontade de cuidar apenas de si mesma. Egoísmo? Talvez. Insegurança? Vai saber. Independência? Muitas vezes, sim.

bolhas de sabao

O fato é que amor pode ser distribuído de diversas formas, entre amigos, sobrinhos, irmãos e às vezes, até pais. Tem horas que dá uma vontade de tomá-los no colo e dizer: encosta a cabeça aqui, eu também posso cuidar de você.

Em um dos meus aniversários, ganhei um livro de presente de uma amiga. Lá tinha um texto da Martha Medeiros que falava sobre isso:

Crianças são quase sempre nossa versão melhorada, herdarão não apenas nossos anéis, mas nossos genes, nosso jeito, nossa história (…) Optar por não ter filhos não é algo trivial. É uma experiência profunda de que abriremos mão de vivenciar. É uma emoção que transferiremos para sobrinhos sem jamais saber como seria se eles fossem gerados por nós – ou adotados, o que dá no mesmo. Vale a pena desprezar este investimento de amor?”

crianca

A delícia que é ser mãe

Dias atrás, eu li o texto de uma colega, acompanhado da foto do seu pequeno Ivo nos braços. Ela falava lindamente sobre a missão de ser mãe e do medo de fracassar, apesar de todos os cuidados e da vontade de fazer o melhor. Ela disse: “No fim, somos só eu e você, e tudo dando certo para a gente”. Quando vejo mães tão dedicadas, me emociono. Talvez porque eu sei, lá no fundo, que também seria assim.

Esse “seria” é que nos pega de jeito. Sempre disseram que quando chegasse aos 30 mudaria de ideia, que um tal reloginho ia disparar. Em vez disso, ele grita, porque ainda tem tantas vontades encubadas, tanta coisa a fazer, a realizar, que não têm a ver com a maternidade.

– Ah, um filho prende, diminui a feminilidade, esfria o casamento?

Será? Acredito que às vezes, sim, mas vejo tantas mulheres que continuam com espírito jovem, estudam, tocam seus negócios, viajam, criam seus pequenos sozinhas ou mantêm um bom relacionamento com o parceiro. Não deixam de ser mulher para ser mãe, como dizem. São mulheres “e” também mães.

Se o reloginho ainda pode vibrar? Quem vai saber… Ter um filho é apostar as fichas e expectativas no futuro. No seu, e principalmente no dele. Quando optamos por não ter, ficamos sem saber como teria sido se… Como dizia o texto, ser mãe é pra sempre. Não ser mãe também é.

Eu tenho fé no futuro.