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É da mais pura natureza humana amar. E, em busca da felicidade, acima de tudo, queremos ser amados. Paradoxalmente, o mais sublime dos sentimentos pode levar as pessoas a um extremo sofrimento e até à depressão. Qual, então, a maneira de cultivar uma relação de amor que liberta para a felicidade?

Quem deixa para trás uma história de amor, ou até mesmo para quem vive num relacionamento em sobressalto entre euforia e angústia, o principal desejo é uma mágica que conserte tudo, e que traga a paz. Se você já dividiu com o travesseiro lágrimas copiosas, também já desejou acordar sem ter de suportar outro dia de tristeza. Certa vez alguém falou: “meu coração dói tanto que parece estar sangrando”. Representa exagero, mas quem já passou por isto sabe como é a sensação.

Algumas pessoas reconhecem: “o que mais me machuca é ver que a pessoa já segue a vida feliz, em outro romance”. Tem ainda aqueles arrependidos pelo descuido: “não dei valor, agora a pessoa está contente e eu aqui, desolado e tendo de admitir que estou com inveja”. Observar as nossas próprias sombras e atitudes de desamor, mesmo em nome do amor, é um grande passo para curar o coração. Também tem valor fundamental para que estes filmes não se repitam.

Pode ser difícil aceitar, mas há algo positivo a ser colhido quando um relacionamento faz o coração em pedaços. São oportunidades de crescimento, de olhar com compaixão, tanto para fora quanto para dentro.

A vida definha na depressão

Você deve conhecer alguém que estagnou, foi ​implodindo, caindo numa depressão, com o fim de um romance. Ou até mesmo já passou ou esteja passando por isto. E os relacionamentos construídos com base no medo e na raiva, por consequência irão machucar. Inseguranças e insatisfações vão criando necessidade de controle, ciúme, posse, raiva e vingança.

Na falta de atender certas expectativas surgem as acusações, de que um está fazendo o outro infeliz. Mas ninguém pode ser responsável pela nossa infelicidade, porque o amor, afinal, é dado de graça. As rupturas são oportunidades de ambos olharem as próprias carências e fraquezas. Como ensina ​o mestre espiritual ​Sri Prem Baba, no livro Amar e Ser Livre: “despertar o amor equivale a iluminar todas as sombras que nos habitam”. Este livro chegou aos meus olhos como um carinhoso presente enviado por minha amada mentora, Paula Quintão, e trouxe várias luzes sobre o sentido de amar.

Coragem de entrega e humildade

É preciso porém ser corajoso para amar. Não é simplesmente declarar o amor a alguém e querer obrigatoriamente que ele volte na mesma proporção. Também é não desistir com as decepções provocadas pela falta de compreensão ou da aceitação do que é revelado nas experiências do caminho.

O desafio das relações amorosas é facilmente escoarem para o medo, para o ódio, para algo a ser cobrado pelo que é entregue com afeto. Com a sensação de falta de saída, de uma felicidade inalcançável, muitos ficam encarcerados na depressão por uma relação finalizada. Tem ainda quem permanece imóvel, mesmo que seja intenso o sentimento negativo de estar acompanhado. Não parece um desperdício de energia vital?

Vencer o desgosto com autoexame

O apego ao sofrimento, lamentavelmente, emudece a chance do amor se expressar novamente. Você já encontrou alguém que tenta conhecer uma nova pessoa, mas gasta o tempo falando do companheiro (a) anterior, num papel de vítima? A tendência é que a situação se repita porque os próprias desgostos e insatisfações não foram resolvidos. A pessoa é levada a pensar que um relacionamento saudável e feliz não é para ela, que nem existe, provavelmente.

Sri Prem Baba sugere procurar examinar a verdade que te habita, para olhar de perto o que provoca medo. “Muitas vezes, ao entrar em contato com determinada insatisfação, podemos achar que não há saída e ser assaltado por um grande desespero. Neste momento é preciso ter fé. Eu já percorri esse trajeto e posso dizer que há uma grande joia te esperando do outro lado da escuridão”, declara.

Amar e aceitar para criar união

Os casais que se unem jurando amor eterno e se separam num mar de cólera acabam colocando o amor no descrédito. Porém, Prem Baba nos lembra do objetivo maior de estarmos aqui, para despertarmos o amor na sua mais pura forma. “Nessa hora é importante lembrar da meta: estamos aqui para amar e criar união”.

Na paixão idealizamos o ser amado, elaborando uma ilusão daquilo que realmente gostaríamos que fosse. Não é incomum, passada a fase de fogos de artifícios que dura a paixão, nascerem os conflitos porque falta corresponder ao ideal imaginado. Tentar mudar a outra pessoa vira o recurso, e começa a temporada das críticas. Vencer esta etapa é possível, se existir dedicação em buscar harmonia, investir numa relação de amorosidade, compreensão, respeito. Do contrário, é preciso escolher de novo.

Interrupção do ciclo de sofrimento

Usar o amor para justificar o sofrimento talvez seja um desrespeito com o seu profundo significado. A autossabotagem precisa ser examinada porque diz não para a felicidade, enquanto pretende dizer sim. Prem Baba ensina que todos querem harmonia dentro de uma relação afetiva, querem alegria, amar e serem amados.

Porém, quando menos espera a pessoa está machucando, desrespeitando e criando situações para ser desrespeitada e machucada.  É preciso vencer a própria contradição dentro de si e perceber qual parte deseja sofrer ou tem tendência para o conflito. “O próximo passo é tomar consciência do estrago que essa escolha está causando na sua vida e na vida de quem está ao seu redor. Quando puder fazer isso, você estará pronto para interromper o círculo vicioso”.

A partir daí um novo rumo pode ser trilhado, em direção ao amor e à felicidade. O ciclo da negatividade, alimentado pela tristeza, só é interrompido quando é escolhido o poder do positivo, o merecimento à alegria e a experienciar toda amorosidade inseparável do ser.

Está se sentindo num casulo de infelicidade e parece isto ser o fim? Infinita é a felicidade disponível. “Quando começamos a nos mover em direção à união, à construção, à harmonia e ao amor, isso também é infinito. É infinito o quanto podemos crescer em perdão, amor e luz”, enfatiza Prem Baba.

Que excessivo na tua vida seja o amor com felicidade.