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Diante da audiência de fãs das competições olímpicas de todo o mundo, uma derrota para chacoalhar a autoestima. E um segundo fracasso para servir de empurrão escada abaixo, rumo à nebulosa depressão. Até que numa terceira vez, ele novamente contraria o previsível, mas, desta vez, aterrissa de pé e o dia é de triunfo. O ginasta brasileiro Diego Hypolito, finalmente conquistou a medalha de prata no solo da ginástica artística, nos jogos Olímpicos Rio 2016.

Foto: Mike Blake/Reuters

Foto: Mike Blake/Reuters

Com que material a vida deve ser preenchida entre um trauma de uma derrota e outra? E mais ainda, o que devemos aperfeiçoar para cairmos de pé depois de uma desafiante acrobacia, e não tropeçarmos diminuídos de vergonha? Em entrevista à Sport TV, o próprio Diego reconheceu os pontos de escassez e os excessos. Sobrou autoconfiança, porém faltou humildade. Mas autoconfiança não é positiva? Totalmente, quando não se perde o compromisso do que deve ser feito pelo resultado almejado.

Por sido o campeão mundial de 2006 a 2007, declarou que passou a se considerar um super-herói, o que não parece inadequado para a mentalidade de um atleta, que acumula 65 medalhas em etapas de Copa do Mundo e cinco em Mundiais, duas delas de ouro. O vacilo, segundo ele, foi deixar de seguir as recomendações da equipe técnica por estar certo da medalha.

Da derrota à remição

Vale a pena tentar, mesmo quando se está cansado. Diego Hypolito perdeu quando era o favorito, e acreditava que seria medalhista. E venceu aos 30 anos quando o objetivo central era, ao menos, aterrissar de pé. Ele soma até aqui, 10 cirurgias, e superou ainda uma depressão de um ano e três meses, que o levou a ser internado e perder 10 quilos. Este mergulho ao fundo do poço era a conta negativa juntando as derrotas, a perda do clube que treinava no Rio de Janeiro e uma chance de contrato apenas em São Paulo.

Onde foi que a curva descendente mudou de curso? Quando alguém o ajudou a acreditar no próprio potencial, quando nem ele mesmo tinha forçar para isso.

Com a medalha prateada no peito, ele fez questão de agradecer ao treinador Marcos Goto, que o ajudou a ter confiança e a se recuperar emocionalmente. E agora, quando a simples superação e a participação em mais uma Olimpíada já era uma vitória, a medalha veio como uma remição, uma libertação.

A força interna na reconstrução emocional

Assim como os atletas, para qualquer pessoa fazer algo melhor vai além de praticar algo novamente, está de modo íntimo ligado às imagens que rodam nos pensamentos. Deletar as cenas humilhantes de cair sentado, e tocar o rosto no chão, para dar espaço à possível vitória é o que o treinador e a psicóloga ajudaram o atleta a fazer.

Um dos exercícios para lidar com as emoções difíceis é a Terapia da Aceitação e Compromisso (TAC). Com determinados exercícios, é possível olhar as emoções negativas sem lutar contra, brigar ou se deixar aprisionar, conforme ensina o livro A ciência da Felicidade, do dr. Antonhy M, Grant & Alison Leigh.

A maioria dos perigos e medos são agravados pelos pensamentos. E pensamentos sobre problemas que já ocorreram, se repetindo continuamente, não servem de nada para evitar que eles se repitam. Tentar evitar um pensamento repetitivo ruim também não funciona, porque ao pensar em evitar, se pensa nele. Assim como a armadilha mental pelo que é ruim se torna um hábito, o dr. Russ propõe exercitar três habilidades de atenção plena: conexão, neutralização e expansão.

Na primeira, o objetivo é conectar-se totalmente com a experiência do aqui e agora, tentando envolvendo todos os sentidos possíveis (tato, olfato, visão, audição, paladar). Essas pequenas práticas, como ao degustar uma fruta, vai trazer à mente para o presente, e afastar para o filme repetitivo atormentador.

A neutralização avança para olhar os pensamentos apenas como pensamentos, histórias, a linguagem barulhenta da cabeça, mas sem permitir que eles dominem o que você sente. É possível dizer: estou tento um pensamento de ser derrotado, para se distanciar do pensamento em si e não se deixar definir por ele. Com a expansão, o exercício é abrir espaço para a emoção aflitiva, sem aprová-la ou desaprová-la, respirar e buscar a neutralidade.

Conviver com o sentimento ruim e seguir para os sonhos

Os exercícios de atenção plena não vão transmutar ninguém de um momento de dor para um momento de redenção. Não foi assim com o atleta, que esperou 8 anos pela medalha, mas mesmo se ela não viesse se considerava um vencedor por ter chegado lá.

O ensinamento é aprender, com o que aconteceu de ruim, e conviver com a sensação que aquele momento passado produz, sem impedir que os objetivos, sonhos prossigam porque algo deu errado. Cultivar uma atitude mental que sintonize com o positivo, com o melhor que há em você, com a sua plenitude, é possível. A nossa forma de pensar não deve trabalhar contra nós. Podemos direcioná-la nos nossos pontos fortes e virtudes.

Namastê