andar de bicicleta

Uns meses atrás me peguei tendo uma DR daquelas com o meu corpo. E, apesar de eu saber que aquela conversa não nos levaria a lugar algum, eu parei, sentei e ouvi.

Vida saudável, alimentação balanceada, queima de calorias, exercícios físicos. Para tudo! Quem disse que eu pedi? Não me venha com essa conversa de que é para o meu próprio bem porque essa é uma decisão cem por cento sua.”

E nesse vai-e-vem, essa relação tem durado mais de 30 anos. A mente sempre querendo fazer da parceria uma sociedade de sucesso. E o corpo lá, literalmente fazendo um mole, dando uma de joão sem braço, colocando o pé na jaca… Não é à toa que todas essas expressões referem-se às partes do corpo.

Eu leio reportagens em revistas, programas de saúde, converso com quem fez acontecer e conseguiu resultados surpreendentes. Mas não há nada mais convincente que uma foto antiga para que a gente entenda o recado: é hora de se exercitar. A gente vai, faz matrícula, compra tênis novo, roupa colorida, squeeze personalizado, mas na hora H, joga a toalha. Boxe, step, jump, jazz, dança do axé, dança de ritmos, até que faz a dança da chuva para não precisar acordar cedo e ir no terceiro dia de academia.

Deus, eu estava tão empolgada e justo hoje chove! Hoje chove, amanhã está quente, depois tem sereno e depois de depois de amanhã é sexta. O fim de semana está chegando e é bom começar só na segunda, porque é na segunda-feira que se pega firme. E assim a gente percebe que é tarde demais. Tudo isso porque a cabeça foi lá e fez sozinha, sem o consentimento do corpo. Não perguntou porque já sabia a resposta. NÃO.

anda de bicicleta i love my bike

Mas foi nessas idas e vindas que o relacionamento entrou na linha. Uma bicicleta surgiu. Não foi de supetão, foi devagarinho. Um passeio aqui, uma voltinha até ali. Uma magrela salvou a parceria e restabeleceu a paz. No começo eram apenas trajetos mais curtos e logo veio o desafio: ir até o trabalho uma ou duas vezes na semana.

Confesso que foi um desafio mesmo: ter que pensar no que levar na bolsa – isso inclui roupas, calçado, acessórios e cosméticos –, na troca de roupa, em como tomar banho, no clima de Joinville que não dá folga para a chuva, no tempo de deslocamento, no trajeto e na segurança ao pedalar boa parte de um caminho sem ciclofaixa. Entrar no carro, girar a chave e ligar o ar condicionado era muito mais tentador porque o corpo adora mesmo é o estado de repouso.

Antes de viajar para a Europa, vendi várias coisas com pouco uso ou que ficariam paradas, mas a bicicleta ficou lá, guardadinha esperando a minha volta. Quando o tempo longe de casa vai passando, a gente deixa de sentir falta de coisas. O que aperta mesmo é a saudade das pessoas. Mas aquela danada faz falta!

Eu não andava de bike há pelos menos 15 anos, mas ela voltou para a minha vida. Eu adotei o hábito ao perceber que pedalar não é somente um exercício físico. É um benefício individual e, principalmente, coletivo. Para o corpo e para a mente.