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Haveria uma idade ideal para tudo, um roteiro traçado? O obstinado, Wang Deshun, nascido no norte da China, contradiz expectativas lineares do tempo. Começou a frequentar uma academia de musculação apenas aos 50 anos. E, aos 79 anos, virou sucesso ao desfilar na passarela do China Fashion Week, em Pequim.

Idade para começar a andar e a falar, para entrar na escola, fazer o ensino médio, se possível, um intercâmbio internacional? Idade para passar no vestibular, para definir uma carreira, encontrar um emprego, casar, ter filhos, trabalhar muito, e se aposentar? Wang também contraria estas previsões.

A incrível boa forma de Wang Deshun, em desfile do China Fashion Week, aos 79 anos

“As pessoas podem mudar as suas vidas quantas vezes desejarem. É importante ter um objetivo”, ensina. Filho de uma cozinheira, numa família de nove crianças, Wang não teve mil oportunidades, estrutura para se diferenciar, ou uma vida considerada fácil.

Começou a trabalhar aos 14 anos e sendo apaixonado por teatro, queria se dedicar a esta área. Ele tentou, sendo persistente. Aqui estão algumas lições compartilhadas por Wang, comprovando que nem a idade define seus limites.

Tenha objetivos e coragem de batalhar por eles

Ator de teatro desde os 24 anos, ele decidiu mudar para Pequim aos 49 anos, e se tornou andarilho. Conta que não tinha nada no seu nome, mas teve coragem para começar tudo do zero.

Que tal começar a estudar inglês aos 44 anos?

De andar de bicicleta a aprender a surfar, a um novo idioma. Sempre há alguém dizendo: o ideal é na infância, agora, depois de uma “certa” idade fica muito difícil. Pode até exigir mais do aprendiz, mas é possível. Wang começou a estudar inglês aos 44 anos. Ele é um “determinado a evitar a estagnação mental e física”, como destacou o The New York Times, contando como ele se diverte em subverter a imagem da China do que significa ser velho. Certamente,  não somente na China ele desafia percepções sobre a idade.

Esculpir o corpo, a partir dos 50 anos

Embora se dedicasse a nadar, foi com 50 anos que Wang entrou em sua primeira academia de musculação, e decidiu esculpir seu corpo. Chegava a treinar 3 horas por dia. Foi uma dedicação motivada pelo amor à arte de atuar, pois entende que precisa estar muito bem com seu corpo porque é com ele que mostra seu trabalho.

Voltou aos palcos aos 57 anos. Criou uma performance única no mundo chamada “Living Sculpture Performance“, na qual usa muito o corpo para performances que misturam humor e tragédia. Até hoje, a idade não consegue parar sua prática diária de exercícios.

Tarde ficou no ontem

As linhas do horizonte se estendendo ao infinito deveriam nos inspirar. Para Wang, quem ainda se prende a pensar que já é tarde para fazer algo pode estar tentando encontrar uma desculpa. Porque ele mesmo se coloca à prova.

Aos 79 anos, se tornou uma sensação conquistando milhares de fãs, após o desfile de moda no distrito de artes de Pequim. Sua aparição sem camisa causou espanto pela boa forma. Ou seja, quer começar algo e acha tarde? Tarde foi ontem, mas hoje é o tempo certo. “A natureza determina a idade, mas você determina seu estado mental”, disse ele.

Fuja de uma mente estagnada

As manhãs de Wang são dedicadas a manter a mente ativa, dedicando-se a leituras. Neste vídeo, inspiração para este texto, ele brinca que uma maneira de saber se você é velho ou não é avaliar se você ousaria tentar algo que nunca fez antes.

Muito a realizar ainda

Agora, aos 80 anos, Wang continua se exercitando, pelo menos, 2 horas por dia, no período da tarde, e acha que ainda tem muito a realizar. Carregamos um universo de promessas e perspectivas dentro de nós, uma capacidade incalculável para exprimir o que faz o coração pulsar mais forte. Wang avisa que continua a buscar novos desafios. Quem duvida?

 E as lições de meu pai, que também ama pedalar, aos 73 anos

Enquanto organizava a postagem deste texto, meu pai, Francisco, proporcionou a mim e à toda a família, um grande susto. O silêncio da manhã de sábado foi quebrado por um barulho assustador, de que algo grande havia caído. Abandonei o teclado, pulei a janela em direção ao som, vi meu pai caído, no corredor formado entre a parede da casa e a escada que leva ao sótão. A bicicleta caída por cima dele.

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Corri para levantá-lo do chão. Correram todos familiares que estavam na casa, e os queridos vizinhos, Zinha e seus filhos, Rodrigo e Anderson, já surgiram no muro se prontificando a ajudar. Chovia fino, mas ninguém ligava se estava molhando. Todos só queriam saber se Francisco estava bem. Ele, nariz sangrando, arranhado no rosto, só dizia que estava “tudo bem, graças a Deus”.

Foi preciso meu sobrinho insistir, eu, e minha mãe para convencê-lo da importância de ir ao hospital, para confirmar se não tinha fraturado o nariz ou provocado alguma outra lesão. No hospital, só agradecia que o anjo tinha segurado para a queda não ser grave. Enquanto media a pressão arterial, ele brincou com a enfermeira: “está tão bom aqui, posso ficar mais 73 anos”. Ao médico tive de explicar: “para ele, sempre está tudo bem, então, viemos confirmar”. Graças ao universo divino, a tomografia confirmou: nada grave.

Aos 73 anos, diariamente, meu pai sai com uma de suas bicicletas, todas no estilo barra forte, sem marchas ou adereços modernos. Algumas têm uma caixinha instalada no bagageiro, para suas compras nos mercados. Não adianta tentar convencê-lo a ir de carro. Ele adora sair sem dizer onde vai, o que causa preocupação, porém respeito pelo seu exercício de liberdade.

Sua disposição em pedalar é admirável. Na praia, quando saímos juntos, na companhia da minha irmã e de quem quiser acompanhar, é uma alegria. Muitas vezes, ele faz questão de ir na frente para demonstrar o quanto tem energia. Tenho plena consciência do privilégio que é pedalar com ele, e o quanto ele me ensina.

Pedalando em família sob o céu azul (da esquerda): eu, meu pai e minha irmã, Eclair

Sua força física se reflete no seu humor. Invariavelmente, às 6 da manhã, ou na hora que levantar, solta um bom dia como se fosse a manhã mais ensolarada do mundo, faça chuva, frio, calor, independente do dia da semana que for. Este cumprimento é sempre achando graça. Em muitas ocasiões, quando eu e minha irmã estamos juntas, somos levadas a rir e a sair com vontade de fazer o dia valer termos acordado.

O pai nunca foi numa academia, provavelmente não será celebridade como Wang, mas compartilha do mesmo princípio de cuidar da saúde e não se limitar ao peso da idade. Esperamos apenas a convencê-lo a guardar as bicicletas em outro espaço, entretanto torcendo que ele continue a gostar de pedalar, e a vibrar em sua alegria gratuita e grata. “É tão boa a vida, né?”, sempre repete, e dá risada. É sim, pai, muito boa.

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Com amor.

Feliz Natal!