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Você não é a sua mente. Esquisito? Não, se você se entrega ao estado de “presença”, e está fora do domínio do fluxo de pensamento compulsivo. Sim, se você ainda se deixa enlouquecer pelos barulhos da mente. Por muito tempo, tentei diminuir minha excessiva atividade mental. Tentava entender como pensar menos. Muitas buscas depois, cheguei, há uns anos, a Eckhart Tolle, por meio do livro, Um novo mundo, o despertar de uma nova consciência. Deu-se início a um despertar para o entendimento de que a minha mente não era eu. Deixar de me identificar com tudo o que a minha mente considerava e ordenava me trouxe para o estado de consciência. Foi libertador.

Tolle explica que “a maioria das pessoas está tão identificada com a voz dentro da própria cabeça – o fluxo incessante de pensamento involuntário e compulsivo e as emoções que os acompanham – que podemos dizer que esses indivíduos estão possuídos pela mente”.

Estar consciente é passar a observar a mente. A consciência é a saída do modo automático de pensar, que age de acordo com as mais diversas percepções equivocadas. Passamos então a sentir, para nos aproximamos do nosso ser, nosso estado de amor e de alegria. De acordo com o escritor e conferencista sobre iluminação espiritual, o “Ser” deve ser sentido, não pode ser pensado. Mas só podemos senti-lo quando nos deligamos da cabeça, dos pensamentos.

Desligue os barulhos dos pensamentos

As fotos que ilustram o texto são do banco de imagens Pixabay.

Se parece confuso, faça o seguinte exercício: passe a observar a sua mente argumentando, defendendo opiniões, definindo o que você deve sentir. Assim, você se coloca acima do pensamento, se observando. Percebe? Se a mente fosse o que somos, não conseguiríamos observá-la. Quando alguém passa a olhar o fluxo dos pensamentos, sem deixar que tomem toda a atenção e controlem as emoções, desperta para a consciência.

A base do conteúdo da mente está condicionada ao passado e por tudo o que foi observado pelo eu da pessoa: reações, emoções, interpretações, percepções, identificações e padrões. Segundo o autor essa é a mente egóica (porque existe uma percepção do eu, do ego, em todos os pensamentos). Considerar que o sujeito pensador define o que ele é inconsciência, espiritualmente falando, segundo Tolle.

Acesse o estado de consciência

Perceber com consciência é observar atitudes, pensamentos e percepções de algo. É a capacidade de questionar um sentimento e escolher outro, que nos aproxime do estado natural de amor e de alegria. É muito curioso observar as fantasias de dor que a mente cria, interpretando fatores de maneira equivocada. Quando vemos um filme, olhamos as cenas de todos os quadros e, por vezes, gostaríamos de interferir no personagem, para evitar que tomasse uma decisão com base num equívoco. Na nossa vida também é assim.

“Veja se você consegue capturar, ou melhor, perceber, a voz na sua cabeça – talvez no exato instante em que ela esteja reclamando de algo – e reconhecê-la pelo que ela é: a voz do ego, não mais do que um padrão mental condicionado, um pensamento. Sempre que a observar, compreenderá que você não é ela, e sim aquele que tem consciência dela,” ensina Eckhart Tolle.

Em algumas experiências, pessoas interpretam mal uma situação a nosso respeito, ou interpretamos mal o que a pessoa faz. As criações da mente constroem cenários montados sobre capítulos anteriores, em variações infinitas. O estado de consciência limpa as confusões voltadas para sofrimento e controle. O estado de consciência ajuda a observar a situação com amor, sem julgamento.

Poder oculto na “presença”

Observe a tentativa dos pensamentos baseados em fatos passados tentar direcionar as atitudes do presente. “Na verdade, você é a consciência que está consciente da voz. Atrás, em segundo plano, está a consciência. À frente, se situa a voz, aquele que pensa. Dessa maneira você estará se libertando do ego, livrando-se da mente não observada”, orienta Tolle. Segundo ele, a força do ego está na inconsciência, porque à luz da consciência ele não consegue se manifestar trazendo o velho padrão mental.

E qual seria o benefício do exercício de presença? É tirar do ego o domínio e abrir espaço na nossa vida para um poder muito maior. “A consciência é o poder oculto dentro do momento presente. É por isso que podemos chamá-la de presença. O propósito supremo da existência humana, isto é, de cada um de nós, é trazer esse poder ao mundo”.

A arte deste instante da vida

E quando a consciência dos pensamentos indica tristeza e infelicidade? Podemos reconhecer este sentimento, mas não atribuí-lo ao que somos. “A infelicidade não tem nada a ver com quem nós somos. Se você estiver passando por isso, diga: Há infelicidade em mim. Depois, analise o que está acontecendo na sua vida. Uma situação em que você se encontra pode ter algo a ver com essa sensação. Talvez seja preciso fazer alguma coisa para mudá-la ou para sair dela”, sugere.

Nos casos que a solução não for imediata, avaliar o que ocorre com firmeza, mas sem se deixar dominar pela infelicidade. “A causa primária da infelicidade nunca é a situação, mas nossos pensamentos sobre ela. Portanto, tome consciência dos pensamentos que estão lhe ocorrendo. Separe-os da situação, que é sempre neutra – ela é como é”.

Para ficar em paz e vivenciar a felicidade naturalmente, é primordial fazer as pazes com o instante presente, onde a vida flui. Não há vida em outro momento. De acordo com Tolle, uma vez que tenhamos nos reconciliado com o momento presente, devemos observar o que ocorre, o que podemos fazer ou escolher fazer ou, em vez disso, o que a vida faz por nosso intermédio.

“Há uma expressão que revela o segredo da arte de viver, a chave de todo sucesso e de toda felicidade: nossa unificação com a vida. Quando formamos um todo com ela, formamos um todo com o Agora”.

Acesse toda a paz e felicidade disponíveis para você, agora.