De que forma eu posso aumentar – de verdade – o meu nível de felicidade? Essa é uma pergunta que você já deve ter feito a si mesmo e, que algumas décadas atrás, até pode ter soado irrelevante para a comunidade científica.

Com a evolução humana, a consciência sobre o efeito das emoções e das nossas ações no mundo, buscar a felicidade e ter uma vida de qualidade é cada vez mais importante.

Muitas pessoas já começam a perceber que a felicidade não significa apenas adotar pensamentos positivos, mas encontrar um ponto de regulação para seus hábitos e escolhas diárias. Ou seja, a maneira como você lida com os colegas, a família, os imprevistos, a dor, as críticas e até mesmo, o seu chefe, influencia positiva ou negativamente o seu bem-estar e o de pessoas à volta.

Por muito tempo, estimular esse comportamento era preocupação de profissionais das áreas de psicologia, psiquiatria, psicoterapia ou até livros de autoajuda, por exemplo, mas a felicidade hoje está na pauta de cientistas das melhores universidades do mundo, e também já se tornou indicador de qualidade de vida.

Isso mesmo! Parece utopia, mas, há um país que considera que não são apenas os indicadores econômicos que demonstram a riqueza de uma nação. Foi no Butão, um lugar remoto do Himalaia, que surgiu o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), em 1972. O rei Jigme Singya Wangchuck começou a pôr em prática uma nova fórmula para medir o progresso do seu país.

Mas, qual a relação entre riqueza e felicidade?

De forma simples, isso significa que o bem-estar deve prevalecer ao crescimento material. Além da saúde econômica, o desenvolvimento material, psicológico, cultural e espiritual, sempre em harmonia com a Terra, devem ser levados em conta. O FIB abrange nove dimensões: bem-estar psicológico, saúde, uso do tempo, vitalidade comunitária, educação, cultura, meio ambiente, governança e padrão de vida.

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Em 1998, o professor Martin Seligman, então presidente da Associação Americana de Psicologia, também estabeleceu a meta de desenvolver a psicologia positiva. Dois anos depois, publicou uma edição especial sobre o tema na revista American Psychologist. Durante a década seguinte, 4263 artigos acadêmicos sobre a psicologia da felicidade foram citados no principal banco de dados da área, o PsycINFO.

E você deve estar se perguntando: mas, por que esse súbito interesse da ciência sobre a felicidade, e como essas iniciativas podem contribuir para que a minha vida seja mais feliz?

“Será que é porque em toda parte as coisas parecem estar dando errado? Estamos mais ricos, mais saudáveis e mais longevos que em qualquer época da história humana. Deveríamos estar nos sentindo ótimos. Mas nosso aumento de renda não nos trouxe nenhuma satisfação maior (…) A depressão se tornou, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, o quarto maior problema de saúde pública no mundo, ‘uma nova epidemia global’. Não confiamos mais nos governos nem uns nos outros. Motoristas estão se enfurecendo, adolescentes se suicidando e crianças se tornando medrosas e obesas”. – trecho do livro A ciência de ser feliz, escrito pela psicóloga Susan Andrews.

Será que isso responde à sua primeira pergunta?

Sobre como é possível ser mais feliz, já pensou no que faz você mais feliz? Segundo pesquisas, pessoas apontaram: mais dinheiro, uma boa educação e juventude como indicadores de felicidade. E, segundo a ciência, essas respostas estão erradas. No longo prazo, a renda pouco contribui para a satisfação de vida. O mesmo acontece com quem tem alto QI. E quando o quesito é idade, estudos mostram que idosos são mais felizes que os jovens. Após os 50 anos, em geral, o nível de felicidade das pessoas aumenta.

Basicamente, dois fatores são apontados como propulsores da felicidade em incontáveis pesquisas: fortes laços afetivos com amigos e familiares, ou seja, o amor que damos e recebemos das pessoas que consideramos importantes; e a sensação de significado na vida. Isso acontece quando você acredita que há algo superior a si mesmo, tem a sensação de que contribui para algo importante, por meio da religião, da espiritualidade ou, até mesmo, de uma filosofia de vida profunda.

Como aplicar isso na sua vida? O livro A Ciência da Felicidade, escrito por Anthony M. Grant e Alison Leigh, traz oito passos para que a felicidade realmente funcione e seja sustentável. Isso que dizer que mudanças serão necessárias, mesmo que sejam feitas de forma suave, mas o importante é que tenham efeitos duradores. O programa, orientado por especialistas, foi praticado com oito voluntários por oito semanas, para a série Making Australia Happy. O objetivo? Comprovar essas transformações de maneira científica. Veja quais são:

1 – Objetivos e valores

Quando tiramos férias fazemos um mínimo planejamento. E isso nos mantém motivados e comprometidos com os passos para que os planos se concretizem, não é mesmo? Na psicologia positiva, isso significa que desenvolver uma linha de pensamento faz com que a gente avance na direção de algo que damos muito valor.

Nessa etapa, é sugerido que se escreva uma carta-legado, uma homenagem pós-vida que destaque suas principais qualidades e realizações. Achou estranho? A explicação é simples: recordar valores nos mantém na direção de conquistar os objetivos.

Realização, altruísmo, perdão, alegria, justiça, amor, coragem, integridade, saúde, carinho, honestidade, respeito… Pense em quais valores são realmente importantes para você, e se seria lembrado por esses mesmos valores.

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2 – Atos espontâneos de bondade

É possível fazermos diferença na vida de outras pessoas com pequenos atos de gentileza. Estudiosos afirmam que, com a rotina que vivemos, ser altruísta é uma das últimas atividades na lista de afazeres.

Mas, o que é altruísmo? “Ele é definido como um estado motivacional com o objetivo final de aumentar o bem-estar do outro, um olhar ou devolução generosa para o bem-estar de outros. Está ligado à doação, a ser voluntário e a servir aos outros. É o oposto de egoísmo, de enxergar apenas a si mesmo, e da hostilidade.” – trecho do livro A Ciência da Felicidade, escrito por Anthony M. Grant e Alison Leigh

De forma simples, pessoas felizes têm mais tendência ao altruísmo, e a sua prática constante deixa as pessoas mais satisfeitas, ou seja, ele induz à felicidade. É possível praticá-lo conscientemente na vida cotidiana, abrindo a porta para alguém, por exemplo; no local de trabalho, elogiando alguém; e até mesmo na sua comunidade, organizando uma festa no bairro ou conversando com uma pessoa que se sente só.

3 – Atenção plena

Essa prática corresponde a um estado mental de consciência no presente e sobre o presente. É estarmos atentos às experiências, aos momentos, e sentidos do próprio corpo, por exemplo. Com isso, é possível lidarmos melhor, e de forma mais eficaz, com os pensamentos e as emoções.

Nossa mente passou por uma evolução, principalmente para dar espaço aos pensamentos negativos. É isso que ela sugere em boa parte do nosso tempo, então, a atenção ao presente e a aceitação ao que se apresenta são recursos fundamentais para estarmos mais felizes.

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Um exercício que pode ser praticado é: antes de comer algo, sinta sua textura, o cheiro, olhe ao redor, sinta entre seus dedos, aperte e ouça o som que emite. Observe atentamente o alimento enquanto fecha os olhos. Só depois, saboreie o seu gosto.

4 – Pontos fortes e soluções

A forma como vivenciamos o mundo é fortemente influenciada por nossas atitudes mentais, e isso também pode estabelecer o quanto somos bem-sucedidos.

Um estudo mostrou que as pessoas, ao imaginarem que o exercício está lhes fazendo bem, de fato se beneficiam mais dele fisicamente do que as pessoas com pouca ou nenhuma expectativa.

Nesse passo, o ideal é cultivar uma atitude mental que ajude a alcançar os objetivos que desejamos, a enfrentar e superar obstáculos que parecem insuperáveis. Isso acontece porque focamos na solução de um problema, em vez de mergulhar nele.

5 – Gratidão

É possível aprender a olhar as situações por um novo ângulo. E quando isso acontece, você encontrará pontos positivos mesmo nos desafios do cotidiano. O bem pratica o bem e o bem contempla o bem.

A gratidão está potencialmente ligada à felicidade e é uma fonte valiosa de força humana, além de combater o estado de depressão.

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Agradeça, diariamente, as vitórias alcançadas, e até mesmo as dificuldades que enfrenta. Agradeça pelo que você já tem e também pelo que visualiza, materializa e pelo que o seu coração deseja. O plano abundante das ideias vai transformar este campo onde está concentrada a sua atenção, com a gratidão, em realidade.

O importante é que você se permita estar em contato constante com o sentimento de gratidão. Uma boa maneira é criar a sua própria lista de gratidão diária.

6 – Perdão

Uma pergunta que pode ajudá-lo a incorporar esse sentimento é: qual é a pior coisa que alguém já fez para você? Qual é o seu sentimento em relação a isso? Guarda rancor, ódio ou conseguiu superar? Responder a essas perguntas para si mesmo já é um ponto de partida. Muitas vezes, temos a impressão de que perdoar é impossível, já que é um dos atos mais difíceis de praticar.

“Perdoar não é tolerar, esquecer, negar ou desculpar as ações da pessoa que as cometeu. O verdadeiro perdão significa ser capaz de enxergar o ofensor com compaixão. (…) Não é fácil, especialmente quando as mágoas são de longa data e pessoais. Ainda mais porque são como veneno para o nosso espírito, um câncer da alma.” – trecho do livro A Ciência da Felicidade, escrito por Anthony M. Grant e Alison Leigh

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Perdoar, em geral, é um processo lento, mas que exige, primeiramente, uma limpeza para que possamos enxergar melhor. Perdoar é um ato de bondade e pede que cortemos as ervas daninhas estabelecidas com o passado.

7-  Redes sociais

Apesar de o uso excessivo ser visto de forma negativa, as redes sociais são consideradas ferramentas positivas para promover o bem-estar das pessoas, fortalecer o sentido de identidade, como boa fonte de informação e até como apoio psicológico e social.

É, literalmente, uma forma de conexão com para fortalecer laços de amizade, parentesco, trabalho e interesse em comum, ou ainda, interesses sociais ou de lazer.

“A felicidade é contagiante. Parece que, assim como o fumo, a moda, a obesidade e a dor de cabeça, que podem passar de uma pessoa para a outra, as emoções podem ser transferidas de pessoa para pessoa. Pense na última vez em que você entrou alegremente em uma sala e se deparou com um bando de pessoas deprimidas, estressadas ou miseráveis. As probabilidades são de que o seu humor tenha mudado. Esse tipo de mudança sempre acontece, mesmo sem a nossa percepção direta. O ‘contágio emocional’ funciona por meio da imitação inconsciente da linguagem corporal, das expressões faciais e do uso da linguagem”. – trecho do livro A Ciência da Felicidade, escrito por Anthony M. Grant e Alison Leigh

E como ela pode ser usada de forma positiva? As redes sociais são ferramentas úteis para desenvolver contatos e, se a ideia é elevar o nível de felicidade, precisamos fazer conexões significativas com outras pessoas, aprender a ser proativo, a desenvolver afinidade, apoiar outras pessoas, sem se sentir competitivo ou invejoso pelo sucesso e felicidade dos outros.

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8 – Refletir, avaliar, renovar

Antes de qualquer mudança é preciso parar. Parar para avaliar o cenário, a vida, e, constantemente, para avaliar os resultados dessas mudanças. É necessário, também, pausar para agradecer o progresso obtido.

Cada vez que nos permitimos uma pausa para refletir e avaliar, renovamos a motivação e o ânimo para continuar a caminhada.

O uso de um diário para anotar as expectativas e experiências é muito eficaz. As listas ajudam a organizar, e também diminuem o excesso de informação que precisamos armazenar, reduzindo o estresse.

É possível transformar a sua vida, estar mais feliz e contagiar os outros à sua volta com atitudes positivas. Tristeza, depressão, desânimo e falta de foco são prejudiciais e colocam em estado lamentável pessoas com potencial para estarem felizes. Veja mais informações no nosso curso online “Paraíso de felicidade – você pode construi o seu”.